quarta-feira, novembro 22, 2006

We will live as one

E ela quis abraçar o mundo, à espera de uma reciprocidade menor ou inigualável à que ela havia recebido.
Mas, não tardava e ela tentava outro jeito, outra posição de ver o jogo, elaborar estratégias e conseguir o objeto de seu maior desejo.
E apesar da cara, das roupas e atitudes, ela ainda era uma menina. Ainda gostava de rir e brincar, mas logo ela se centrava em seu mundo híbrido e idealizado, agora em ação, por força sua e do destino.
Não sei se ela realmente se realizava sendo, vendo, tendo e conseguindo aquilo tudo. Não cheguei ao ponto de ter coragem para perguntá-la, ou do contrário, como um animal arisco, ela poderia me dar uma patada e me manter fora de sua vida e de seu círculo.
Mas ela ainda era doce, ainda tinha ternura e ainda precisava de um abraço. Embora não dissesse, seu rosto e gestos reticentes, às vezes denunciavam uma falta, um vazio de carinho, um buraco que se tornava em abismo a cada dia sem cor e luz.
Não digo que ela não tivesse amor, pelo contrário. Isso era concedido, mas não posso afirmar se ela o canalizou da maneira correta, ou seja, não sei se ela soube aproveitar...se soube procurar nos lugares certos.
Eu mesma já passei por isso e não sei, ainda, onde é que brotam todas essas coisas almejadas, achadas, preferidas e queridas.
Brincadeiras uma hora acabam, ou perdem a graça ou se esvaem. E brincar de ser feliz não é confortável quando se vê o fim. Enquanto ela impera é só alegria, não há temporais ou sequer nuvens...mas é só vir o enjôo que a brincadeira logo vira vida real. Ou não logra tal êxito, fica a desejar.
E esse desejo se resume em tal abraço acerca de uma coisa maior que ela não-se-sabe-quantas vezes...mas que pode ser achada até mesmo no telefone ao lado da cama.